16 junho 2006

Preconceito

Roberto Moraes Pessanha
Professor do Cefet Campos
e-mail:moraes@fmanha.com.br

Muito se fala em preconceito contra o racismo e as opções sexuais, porém ele é mais amplo e atinge outras manifestações. Não sou sociólogo, antropólogo ou cientista social, mas me arriscarei a falar sobre esta doença antiga que vez por outra se mostra mais evidente. Considero que é na política que ela tem sua nuance mais perigosa. Sob o argumento de tratar-se de uma simples crítica ela invade os jornais, as entrevistas, ou mesmo os bate-papos das praças ou botequins.

A etimologia da palavra é simples e clara. Trata-se da emissão antecipada de opiniões e conceitos sem necessidades de análises mais aprofundadas. Algumas vezes são simplórias outras vezes mais rebuscadas como se antes das opiniões o seu portador tivesse ponderado diversos ângulos de uma mesma questão objeto de opinião.

Como podemos desconfiar que ele se evidencia? Quando na formulação ou apresentação dos argumentos a retórica volta sempre ao mesmo ponto. Tenho visto isto freqüentemente em alguns analistas, colunistas e políticos.

César Maia talvez seja hoje um dos ícones deste modelo. Nos seus textos hoje divulgados por e-mail e não mais em seu blog, Maia, mais do que tentar formar opinião a favor dos seus interesses eleitorais, o que não é nenhum problema, ele reforça na sua luta “anti-Lula” o pré-conceito do ex-esquerdista que tenta ocupar um lugar na política brasileira há algum tempo vago como político moderno e direitista assumido. Parece que por osmose tem passado essa forma de ser a outros políticos (as) que gravitam na sua órbita. Assim, a ex-juíza Denise Frossard tem sido enquadrada por conta das suas falas tanto sobre os deficientes quanto, agora, para os favelados.

Preconceito é uma doença da qual nenhum de nós está imune, nem mesmo este articulista que se arrisca em falar de tal assunto tendo muito provavelmente os seus não escondidos. Percebo isso de forma intensa em diversas ocasiões, como por exemplo, na minha rejeição, até ojeriza aos funks entre outros. Os extremos da sua presença evidenciam-se como intolerância que teve como mal maior o vivenciado pela humanidade no período do nazi-fascismo.

Freud ensinou que falar ou verbalizar um problema é uma das formas de se encontrar as suas soluções, ou pelo menos reduzir estes sentimentos. Bom que cada um faça periodicamente um pouco deste exercício. O sujeito que vai se tornando mais fechado e mais pré-conceituoso a todas as idiossincrasias envelhece mais cedo, torna-se mais ácido, mais isolado.

Porém, sob o lado individual, os preconceitos podem não ter conseqüências mais sérias além das rabugices atribuídas entre amigos e adversários. O perigo maior é quando ela passa a ser doença crônica de uma sociedade. Neste caso, os antídotos, antes de ser um remédio para curar uma doença deveria atuar como uma vacina para proteger as coletividades. Aliás, este é o despretensioso desejo deste artigo: o de propor uma dose para cada um de nós e tin-tim!

Publicado na Folha da Manhã de 16 de junho de 2006.

6 Comments:

Anonymous cibele said...

Caro Roberto, não sei se você pensou ao escrever o artigo que também há um preconceito com aqueles que falam emitindo suas próprias opiniões. Hoje a história do "politicamente correto", tem inibido as pessoas e empobrecido muito o debate em torno de muitos assuntos importantespara a sociedade. Gostei de você ter lembrado de Freud e da importância de as pessoas se colocarem diante dos fatos, mesmo que seja para reconhecer que são preconceituosase que precisam melhorar as suas idéias.

19:30  
Blogger Roberto Moraes said...

Olá Cibele,

Interessante sua observação. Não tinha pensado sobre ela.

Quanto à necessidade de identificar nossas fragilidades e de nos conhecermos melhor é algo que ainda temos muito que aprender. Vejo que a experiência e o maior tempo para reflexão e estudos nos ajudam neste sentido.

Abraço,
Roberto Moraes

01:34  
Anonymous Anônimo said...

gostei muito de seu artigo mais concordo com a Cibele muitos escritores falam e desciminom usando artigos , é comum ver isso em cassos de artigo de opinião mais eu acho que vc foi muito bom no seu artigo abraços ...

23:10  
Anonymous Anônimo said...

s

17:03  
Anonymous Anônimo said...

Caro Roberto, eu endosso com a sua tese pois o preconceito está sendo cada vez mais praticado por diversos motivos, devemos nos proteger contra esse ato procurando saber mais sobre esse assunto tão polemico, acho que isso pode ser a nossa ''vacina'', pois as pessoas só praticam o preconceito por que não tem conhecimentos sobre o mesmo.

10:58  
Anonymous Anônimo said...

assim eu ja postei esses tipos de comentarios sobre antonio roberto ,so que acho que esse cara e um grande maravilhoso autor r escritor quem puder souber fazer um comentario fassa e escreva o que quier so nao esqueça das palavraa antonio moraes eu te amooooooo bejos

18:20  

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